FAH-DPORT: In the media – ALUNOS DE PORTUGUÊS ENFRENTAM CONCORRÊNCIA “MAIS ACÉRRIMA”, Jornal Tribuna de Macau, 24/11/2017

28 Nov 2017


Alguns participantes no concurso de debate em Português entendem que a concorrência por empregos ligados a esta língua é cada vez mais apertada, mesmo no mercado sul-coreano. Para o coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa, tal dificuldade está relacionada com a crise económica que países como o Brasil, Angola e Moçambique estão a passar. Mesmo assim, acredita que “quando a crise passar, o emprego volta a aparecer”

 

Rima Cui

 

O 8º Concurso de Debate em Língua Portuguesa para Instituições de Ensino Superior da China e da Ásia terminou ontem no Instituto Politécnico de Macau (IPM), contando com a participação de 12 equipas, três de Macau, sete do Interior da China, uma da Coreia do Sul e uma do Vietname.

As equipas da Universidade de Macau, Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, Universidade de Estudos Internacionais de Xangai e Universidade de Estudos Estrangeiros de Cantão foram as seleccionados para a final.

Antes da etapa decisiva, o Jornal TRIBUNA DE MACAU conversou com alunos de três equipas, que em comum têm o forte interesse pela cultura portuguesa. Para além disso, realçaram a concorrência “cada vez mais acérrima” na procura de tradutores ou intérpretes de língua portuguesa.

Yi Heng, aluna da Universidade de Macau (UM), afirmou que a decisão de aprender o Português deve-se ao facto da China ter reforçado a cooperação com muitos países lusófonos. Por outro lado, na sua terra natal, Pequim, há muitas oportunidades de trabalho.

A jovem de 21 anos é fã de música portuguesa. “A música portuguesa transmite muito a afeição do país pelo mar, o que é muito difícil de encontrar nas obras musicais chinesas. A música da China foca-se mais no amor pela terra, no entanto, a portuguesa mostra uma certa ansiedade pela exploração do mundo exterior, o que para mim é impressionante”, salientou Yi Heng.

A representante da equipa da UM prefere fazer um mestrado e continuar para doutoramento depois da graduação, porque pretende fazer carreira como professora. Na sua perspectiva, a concorrência na área é cada vez maior e o mercado também está a ficar saturado. “A situação do mercado de empregos ligados ao Português poderá tornar-se igual à do Espanhol”, sustentou.

Li Fei, aluno da Universidade de Línguas Estrangeiras de Dalian, também acha que há cada vez mais concorrência, sendo que “quer na China Continental, quer noutros países, há cada vez mais instituições a abrirem cursos de Português”. Apesar disso, o jovem, cujo interesse pelo Português nasceu da “paixão por línguas estrangeiras”, revelou já ter um emprego garantido como tradutor na área de economia no Brasil.

Por sua vez, Ju Hyun Jeon, da equipa da Universidade de Estudos Estrangeiros de Hankuk, confessou igualmente gostar de música portuguesa, sobretudo fado. O jovem de 26 anos, que já tinha bases de espanhol antes de entrar na universidade, adiantou que quer trabalhar no Brasil no sector comercial.

Aos olhos de Ju Hyun Jeon, a concorrência entre os quadros da língua de Camões na Coreia do Sul também é forte, especialmente em empregos com boa remuneração.

Carlos André confiante na melhoria do mercado

Confrontado com o facto dos alunos entenderem que o mercado de empregos ligados à língua portuguesa “está saturado”, Carlos André, coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa, apresentou uma visão diferente. “Estamos a atravessar um momento com uma certa crise nos três grandes países de língua portuguesa, Brasil, Angola e Moçambique. Quando há uma crise, a economia arrefece e portanto o emprego baixa. Quando a crise passar, a economia cresce de novo, as empresas chinesas voltam a investir muito nesses países e o emprego volta a aparecer”, defendeu.

Para o coordenador, esta edição da competição foi mais renhida e o nível de Português dos participantes “bastante bom”. Considerando o debate “vivo e aceso”, o académico mostrou-se satisfeito com a crescente maturidade das apresentações feitas por alunos do Interior da China.

Em relação ao número de participantes, Carlos André indicou que foi igual ao do ano passado. Para além disso, o modelo do concurso com equipas de universidades locais, do Continente e outros países asiáticos, a funcionar há dois anos, vai continuar no futuro.

Actualmente, 35 universidades da China Continental têm cursos de Português, mas nem todas podem participar em simultâneo, devido ao limite estabelecido. Por isso, para garantir que todas têm essa oportunidade, existe um sistema de “rotação”, sendo que algumas participaram nesta prova e outras no Concurso de Poesia.

Por outro lado, Carlos André indicou que muitos alunos do Continente estão interessados no Português porque sabem que “pode ser um excelente instrumento de futuro, porque é uma língua estratégica para a República Popular da China, do ponto de vista da economia e do ponto de vista do mercado”.

Source: http://jtm.com.mo/local/alunos-de-portugues-enfrentam-concorrencia-mais-acerrima/